Querer mais enquanto Gen Z

A estagiária de Comunicação na Roche Farmacêutica Portugal, Catarina Ledo, desafia os jovens a fazerem o que gostam sem perderem a sua personalidade.

Querer mais enquanto Gen Z

Dizem que a Geração Z é a geração dos perdidos e dos ansiosos, mas esquecem-se de que somos também das mentes mais criativas e disruptivas de sempre. Eu não fujo à regra. Também já tive os “sintomas” todos da nossa geração, já me senti à deriva e com medo, mas hoje sei o que quero fazer.

Curiosamente, observo uma tendência na nossa geração que me inquieta. Crescemos com uma pressão invisível e uma ilusão muito específica sobre o sucesso, numa sociedade onde, por vezes, o esforço, a ambição e o “querer mais” são vistos com uma conotação negativa. Como resposta a essa exigência, habituámo-nos a fingir que não queremos saber.

Se há área onde esta atitude não sobrevive, é a nossa. Trabalhar em comunicação pode ser muito divertido e estimulante quando estamos no lugar certo. É uma área onde a nossa personalidade é, de facto, a nossa maior ferramenta e, por isso, peço-vos que desconstruam a ideia de que devemos ficar num sítio onde não pertencemos.

Nem todos temos o privilégio de poder estar onde queremos logo à partida, mas, se o vosso trabalho não vos inspira, não permitam ser moldados por ele, nem tentem forçá-lo a encaixar. Sendo jovens, temos o tempo, o direito e a responsabilidade de procurar aquilo que nos faz sentir verdadeiramente vivos.

Eu, por exemplo, sempre ambicionei uma carreira musical, mas sou pragmática. Enquanto esse caminho se constrói, entrego-me à comunicação, uma área de que também gosto muito. E talvez daqui a dez anos não me reveja na pessoa que sou hoje, e estará tudo bem.

O fundamental é não ficarmos reféns das expectativas alheias. Temos de deixar para trás a ideia de que o nosso percurso tem de fazer sentido para os outros. Só libertando-nos desse peso é que nos permitimos evoluir. O segredo é agarrarmos aquilo que nos move no presente e darmos o nosso melhor, sem pedir desculpa por querermos chegar mais longe.

Por isso, arrisquem. Aceitem que querer crescer é válido e necessário. Tragam a vossa verdadeira personalidade para a mesa e não tenham medo de querer ser quem ambicionam ser neste exato momento. O facto é que, no mercado da Comunicação, seja nas Relações Públicas, Marketing ou Publicidade (como em qualquer outro, na verdade), o talento sem paixão é um desperdício. Nem sempre é possível, nem fácil (e o fator “sorte” também é determinante), mas façam aquilo de que gostam, sem deixar que isso vos consuma. Encontrar esse equilíbrio é a chave para que o nosso “querer mais” seja sustentável a longo prazo, e não um desgaste rápido. E, acima de tudo, não tentem camuflar a nossa vontade tão “Z” de sermos diferentes.

Catarina Ledo, estagiária de Comunicação na Roche Farmacêutica Portugal

Terça-feira, 14 Abril 2026 10:06


PUB