Realmente? Sim, Davvero que #ProvamosEAprovamos

O Davvero não é apenas mais um italiano na cidade. É uma viagem sensorial, conduzida pelo chef executivo Isaac Kumi, um veneziano apaixonado pela tradição e pelo detalhe.

Realmente? Sim, Davvero que #ProvamosEAprovamos

Acredita que “a tradição é a base de tudo, mas a inovação surge do respeito por essa base”. No Davvero – que em italiano significa “o verdadeiro” –, essa filosofia transforma-se numa carta onde cada prato conta uma história, e onde cada detalhe tem peso.

Todos os pratos são tratados com “a reverência que se dedica a uma herança preciosa, mas com a leveza de quem não se limita ao passado”. A cozinha vive do equilíbrio entre raízes e reinvenção. “Partimos da simplicidade e do respeito absoluto pelos ingredientes”, explica o chef. “Não inventamos o que já está bem feito. Cuidamos. Aprimoramos. Mantemos a alma italiana, com uma apresentação elegante e um toque contemporâneo”

Na carta, o que é clássico permanece. O cacio e pepe — “prato de alma”, nas palavras do chef, — é feito com a cremosidade certa, resultado de uma técnica apurada e de ingredientes irrepreensíveis. A piccatina al limone, tenra e aromática, acompanha-se de um puré de batata com trufa que perfuma a mesa antes de chegar ao prato. Mas há também espaço para a surpresa, como o baccalà mantecato, que marca de forma especial o percurso do chef. “Este prato tem um significado muito pessoal para mim, pois o bacalhau é um ícone da cozinha da minha região de origem, Veneza. Quando cheguei a Portugal, descobri com entusiasmo que o bacalhau é também um símbolo nacional da gastronomia portuguesa”, comenta A partir desse cruzamento nasceu uma criação que une as duas culturas: bacalhau cremoso com polenta crocante de tinta de choco. Uma ponte saborosa entre os dois países que marcaram o percurso do chef.

É a sazonalidade dita o ritmo da carta. Legumes frescos, peixe e marisco são escolhidos localmente, com atenção às colheitas e às marés. Já os produtos que dão autenticidade à mesa — queijos como o parmigiano reggiano, pecorino romano ou mascarpone, embutidos como o prosciutto San Daniele ou a mortadela — chegam diretamente de pequenos produtores italianos, assim como as massas secas, vindas de Gragnano, terra onde a pasta é levada a sério. Ainda assim, mais de 70 % das massas do restaurante são feitas na casa, de forma artesanal, com receitas tradicionais.

Inserido no boutique hotel Sublime Lisboa, o espaço é a extensão da experiência. Sofisticado e íntimo, com toques românticos e detalhes que evocam o Mediterrâneo, convida a desacelerar, a partilhar e a saborear. Do ambiente ao serviço, tudo contribui para uma sensação de conforto discreto, mas marcante.

Para quem chega pela primeira vez, a recomendação do chef é clara: comece-se com um Bellini, cocktail icónico da casa, e deixe-se guiar. O carpaccio de novilho com crema de parmigiano e alcaparras fritas é leve, mas vibrante. A piccatina al limone, servida com puré de batata trufado, é uma prova de que a tradição pode ser surpreendente. Para terminar em beleza, o Gelato Davvero, feito na casa, surge como um elogio à doçura, com molho de pistácio e nozes crocantes a reforçar a ideia de que o detalhe faz toda a diferença.

No Davvero, não se trata apenas de comer bem. Trata-se de viajar, de descobrir as diferentes regiões italianas à mesa — de Veneza a Puglia, passando por Roma — num diálogo contínuo entre tradição e identidade. “Cada prato conta uma história”, diz o chef. E é nessa narrativa, escrita em aromas e texturas, que reside a singularidade do restaurante: fiel às raízes italianas, mas com alma portuguesa.

Sofia Dutra

Sexta-feira, 25 Julho 2025 11:38


PUB