Servir o mar, contar a missão

A Subtenente Mariana Oliveira Nobre escreve sobre de que forma o seu trabalho mostra a importância dos jovens para trazerem novas ideias, novas formas de comunicar e novas maneiras de olhar para o mundo.

Servir o mar, contar a missão

Cresci, como muitos jovens da Geração Z, com a pressão de construir uma carreira e conseguir um emprego digno, de preferência na minha área: Comunicação e Relações Públicas. Durante anos, estas perguntas acompanharam-me: “Será que vou conseguir?” ou “Será que vou encontrar o meu lugar na comunicação?”.

Hoje posso dizer que consegui. E posso afirmar, com toda a certeza, que, entre todas as possibilidades que imaginei para o meu futuro, escolhi uma das carreiras mais bonitas que poderia ter.

Neste momento, sou oficial da Marinha Portuguesa na área de Comunicação e desempenho funções como Encarregada da Secção de Vídeo, no Serviço de Comunicação, Informação e Relações Públicas, do Gabinete do Chefe do Estado-Maior da Armada. Na prática, isto significa que participo diariamente na forma como a Marinha comunica com os portugueses e mostra aquilo que faz, muitas vezes longe dos olhos do público.

A Marinha está profundamente ligada à história e à identidade de Portugal. Ao longo de séculos, o mar foi sempre parte daquilo que somos enquanto país. Hoje, essa ligação continua viva nas missões que garantem a segurança do nosso espaço marítimo, apoiam quem precisa no mar e protegem uma das maiores riquezas naturais que possuímos.

Foi dentro desta realidade que encontrei a oportunidade de trabalhar na minha área. Durante muito tempo achei que talvez não fosse possível. Quando terminei a licenciatura, o caminho parecia distante, quase inalcançável. Mas a vida tem formas inesperadas de nos mostrar onde pertencemos. Hoje acordo todos os dias para fazer exatamente aquilo que escolhi.

No meu trabalho raramente existem dois dias iguais. Há dias em que acompanho exercícios cheios de ação no mar; noutros, estou a gravar campanhas de sensibilização que podem salvar vidas. Pelo meio, já vi nascer e pôr-se o sol sobre o mar — um mar que é teu, que é meu, um mar que é nosso, que são “lágrimas de Portugal” (Luís de Camões).

Mas talvez o mais marcante seja perceber aquilo que muitas vezes não se vê. Através do meu trabalho tenho o privilégio de mostrar o esforço diário de quem defende a nossa costa e protege o nosso mar. Tenho também a responsabilidade de dar voz àqueles que passam longos períodos longe da família para garantir que todos nós possamos estar junto das nossas.

Fazer parte da história e da mística de uma instituição tão antiga como a Marinha vai muito além do papel que cada um de nós ocupa. É sentir que pertencemos a uma linhagem que começou gerações antes de nós e que continuará muito depois. São histórias que se ouvem nos corredores, passadas de geração em geração, feitas de missões, desafios e momentos que marcam quem por lá passa. Histórias das quais também passamos a fazer parte e que ajudam a construir aquilo que a Marinha é hoje. No meu caso, tenho ainda o privilégio de poder ajudar a contá-las e a mostrá-las aos portugueses.

Talvez por isso a presença dos jovens seja tão importante nesta continuidade. Trazemos novas ideias, novas formas de comunicar e novas maneiras de olhar para o mundo, mas somos aceites exatamente como somos — com as nossas experiências, as nossas perspetivas e as nossas histórias.

Sempre gostei de trabalhar com pessoas e hoje tenho o privilégio de trabalhar com muitas que partilham o mesmo amor pelo mar e pela missão de servir Portugal.

Subtenente Mariana Oliveira Nobre

Terça-feira, 24 Março 2026 11:19


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