Portugal volta a falhar meta europeia de reciclagem

No primeiro trimestre de 2026, as embalagens enviadas para reciclagem registaram uma quebra de 1 %, em comparação com o período homólogo. Na perspetiva da CEO da Sociedade Ponto Verde, Ana Trigo Morais, os recursos disponíveis permitem a evolução estrutural do sistema e se se juntar uma abordagem “construtiva, colaborativa e orientada para soluções concretas”, vai ser possível chegar a um setor cada vez “mais robusto e preparado” para os desafios do futuro no que diz respeito ao ambiente e à economia circular.

Portugal volta a falhar meta europeia de reciclagem

A aplicação dos valores de contrapartida pagos aos parceiros municipais e concessionários pelas entidades gestoras, como a Sociedade Ponto Verde, gerou um reforço da capacidade de investimento superior a 90 milhões de euros em 2025. Para 2026, está previsto um aumento adicional de 25 milhões de euros, elevando o total do sistema para cerca de 237 milhões de euros. No ano passado, o sistema já tinha registado um aumento do financiamento, com mais 90 milhões de euros face ao ano anterior, num total de 212 milhões.

Apesar deste reforço, o setor alerta que o investimento deveria estar a traduzir-se numa mudança estrutural e em resultados mais consistentes no cumprimento das metas de reciclagem.

Os dados mais recentes mostram que o vidro e as embalagens de cartão para alimentos líquidos (ECAL) continuam a ser os fluxos mais problemáticos. O vidro registou uma quebra de 1 % na separação para reciclagem, com 48187 toneladas, mantendo-se abaixo do desempenho necessário para atingir as metas. Já a ECAL recuou 2 %, para 2100 toneladas, mantendo uma tendência de descida.

No início do ano, também o plástico registou uma quebra de 8 % na separação para recolha seletiva através dos ecopontos, totalizando 20 144 toneladas. Entre os restantes materiais, o papel/cartão aumentou 2 % e o alumínio cresceu 9 %.

Simão Raposo

Quarta-feira, 15 Abril 2026 11:28


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