Cadeias de abastecimento sustentáveis são aquelas que procuram minimizar o seu impacto ambiental, maximizar o seu impacto positivo social, enquanto garantem a construção de valor económico para todos os envolvidos. A criação de cadeias sustentáveis no setor de retalho tem ganho recentemente um crescente número de adeptos. Empresas e consumidores reconhecem a importância de adotar práticas que promovam a sustentabilidade em toda a sua cadeia de valor. Alguns possíveis exemplos são:
Redução de Plástico: O plástico é um grande problema ambiental. Empresas de retalho tem vindo a tomar medidas para reduzir o uso de plástico nas suas embalagens, explorando a utilização de embalagens minimalistas e a oferta de alternativas reutilizáveis.
Transporte Sustentável: investimento em frotas de entrega elétricas e/ou híbridas, contribuindo para a redução de emissões de carbono associadas ao transporte de produtos. A otimização de rotas de entrega que ajuda a economizar combustível e a reduzir congestionamentos nas cidades. A implementação de programas de “backhauling” onde a otimização dos recursos e a redução de emissões de carbono são exploradas.
Programas de Reciclagem: implementação de programas de reciclagem de plástico e embalagens, incentivando os consumidores a devolverem embalagens vazias para reciclagem é outra prática a seguir.
Abastecimento Local: movimento de “compre local”. Empresas de retalho procuram cada vez mais fornecedores locais contribuindo para a redução das emissões de carbono associadas ao transporte de mercadorias e simultaneamente contribuem para o desenvolvimento da economia local.
Uso de Energia Renovável: investimento em fontes de energia renovável, como painéis solares e turbinas eólicas, ajudando a reduzir a pegada de carbono das operações.
Economia Circular: a adoção de práticas de economia circular, incentivando a redução; reutilização e reciclagem de produtos.
Produtos Sustentáveis: oferta de produtos sustentáveis, como produtos orgânicos, de comércio justo ou de baixo impacto ambiental, é mais uma forma de promover práticas de consumo mais responsáveis.
Mas não apenas práticas de minimização ambiental têm sido alvo de atenção. Práticas de impacto social positivo têm também sido exploradas, como:
Sourcing Responsável: onde a opção é trabalhar com fornecedores que sigam práticas éticas, como pagar salários justos e proporcionar boas condições de trabalho aos seus funcionários.
Investimento em áreas deprimidas: abertura de atividade ou expansão das operações para áreas mais desfavorecidas. Criar oportunidades de emprego com redução de disparidades económicas e melhoria da qualidade de vida das comunidades menos privilegiadas.
Contratação Inclusiva: promover a diversidade e inclusão na força de trabalho. A contratação de funcionários de diferentes origens étnicas, culturas, idades, géneros e capacidades deve ser promovida.
Programas de Desenvolvimento Profissional: oferecer programas de desenvolvimento profissional para funcionários, permitindo que eles cresçam e desenvolvam as suas carreiras no retalho.
A escolha de ações específicas, entre as apresentadas e outras que existem, depende dos valores da empresa, da sua cultura organizacional e do contexto em que opera.
Apesar do que já existe a transição para cadeias de abastecimento sustentáveis não é isenta de desafios e muito mais tem de ser feito. Os custos iniciais podem ser mais elevados, a logística pode ser mais complexa. A comunidade académica tem um papel fundamental nesta transição, podendo ajudar as empresas a identificar as melhores práticas a seguir fornecendo a informação necessária à sua tomada de decisão. Desta forma, os benefícios irão superar amplamente os desafios e o investimento em sustentabilidade será cada vez mais atrativo.
As cadeias de abastecimento sustentáveis no setor de retalho são, pois, fundamentais na condução do futuro sustentável da indústria. Empresas que adaptam boas práticas encontram maneiras inovadoras de reduzir o seu impacto ambiental, promover a justiça social e criar relacionamentos mais éticos e colaborativos com os seus fornecedores.
A sustentabilidade é, sem dúvida, a estratégia vencedora do nosso tempo e o setor do retalho não é exceção!
Ana Paula Barbosa-Póvoa, professora catedrática em Operações e Logística no Instituto Superior Técnico

