Os portugueses separaram para reciclagem um total de 486 990 toneladas de embalagens, em 2025, sendo um crescimento de 2 % face ao ano anterior. Estes resultados colocam o País em incumprimento das metas europeias de reciclagem de embalagens, uma vez que a taxa de retoma foi de 60,2 %. Isto aconteceu num ano decisivo para o cumprimento das metas de reciclagem de embalagens, no qual devia estar a ser garantida a recolha seletiva de 65 % de todas as embalagens colocadas no mercado.
No ano passado, os serviços de recolha seletiva de resíduos de embalagens financiados ao SIGRE pela Sociedade Ponto Verde (SPV) e por outras entidades gestoras, atingiram o montante de 220 milhões de euros, o que significa um reforço de 98 milhões de euros ao sistema, após a decisão de aplicar novos valores de contrapartida. De acordo esta entidade, os dados recolhidos confirmam que o problema não está na falta de recursos, mas na forma como o sistema está desenhado.
A CEO da SPV, está convicta que é necessário repensar o modelo, exigir eficiência e qualidade no serviço de recolha e triagem para garantir que cada euro investido gera mais embalagens recolhidas nos ecopontos. Na perspetiva de Ana Trigo Morais, a reciclagem de embalagens precisa de uma mudança “estrutural” e de uma gestão orientada para o desempenho, para que Portugal possa cumprir as metas a que está legalmente obrigado. “Não podemos justificar que um ano após o aumento dos valores de contrapartida não haja um único mês com melhores resultados do que no ano anterior”, remata.
Simão Raposo

