Uma das questões de mais difícil resposta quando refletimos sobre o ensino e a investigação que ocorre nas escolas de economia e gestão é a de definir a importância relativa dos dois seguintes aspetos: tratar a ciência e a educação como um meio para as empresas e os seus trabalhadores continuarem produtivos ou pensá-las como instrumentos para a criação de seres humanos e instituições que adotam e promovem valores básicos, como a empatia, o cuidado, a sustentabilidade, etc..
Relativamente à investigação e ensino das formas através das quais as empresas podem contribuir para a prossecução do desenvolvimento sustentável, é possível distinguir-se duas abordagens divergentes. A primeira abordagem privilegia a implementação de políticas e práticas de sustentabilidade, elegendo como principal foco a relação entre desempenho financeiro das empresas e tal implementação. A segunda abordagem preocupa-se fundamentalmente com o significado da sustentabilidade empresarial, o seu impacto (na empresa, na natureza e na sociedade), a sua essência e o seu propósito, focando-se em como levar as pessoas a, individual e coletivamente, ponderar sobre as consequências sociais das suas ações. Às duas abordagens deve ser atribuída igual importância.
Ao contrário do que sucedia há apenas meia dúzia de anos, a sustentabilidade empresarial é um tema que se encontra agora no centro das preocupações das escolas de economia e gestão. Não obstante, os desafios de o trabalhar nestas escolas não diminuiu. Pelo contrário, terá até aumentado. Um dos motivos para isso tem a ver com o facto de a sustentabilidade empresarial ser uma área de interesse inter e multidisciplinar, para cuja compreensão se torna indispensável mobilizar contributos das mais variadas ciências sociais e humanas e das ciências naturais.
Outro motivo prende-se com a crescente dificuldade em discutir questões como as da diversidade e inclusão. Este tipo de discussão tornou-se substancialmente mais complexo nos últimos anos e, provavelmente, tornar-se-á ainda mais nos próximos anos. Tal complexidade deriva, em grande medida, das alterações recentes ao nível do contexto político em vários países, com destaque para os Estados Unidos da América. Ainda um terceiro motivo é o de os instrumentos, incluindo a legislação, de gestão da sustentabilidade, se terem tornado cada vez mais numerosos e mais complexos.
O ensino da sustentabilidade empresarial deverá abordar um variado leque de assuntos, económicos, sociais e ambientais, independentemente da sua dificuldade e da complexidade dos instrumentos associados. Deve ser atribuída grande importância à apresentação da sustentabilidade empresarial tendo como pano de fundo grandes problemas, como os da desigualdade e da degradação ambiental, e assumindo a responsabilidade da gestão na proposição de alternativas para a mitigação desses problemas.
Manuel Castelo Branco, diretor do mestrado em Economia e Gestão do Ambiente da FEP e membro do Comité da Sustentabilidade da faculdade

