Maioria dos jovens está preocupada com as green skills

Cerca de seis em cada dez jovens, entre os 16 e os 24 anos, consideram que o desenvolvimento das green skills lhes pode assegurar novas oportunidades de carreira. Contudo, menos de metade possui as competências exigidas pelo atual mercado de trabalho nas áreas ambientais, segundo o estudo “Young People’s Perspetives on Climate: Preparing for a Sustainable Future”, produzido pelos Research Institute da Capgemini e Generation Unlimited da UNICEF.

Maioria dos jovens está preocupada com as suas green skills

De acordo com o relatório, a maioria dos jovens está preocupada com as mudanças climáticas, com mais de dois terços a reconhecer que estão “apreensivos” com a forma como as mesmas podem afetar o seu futuro. Apesar disso, é de destacar algumas disparidades registadas, sendo que esta inquietação difere consoante a área geográfica onde os inquiridos se situam. Os participantes do hemisfério norte reportaram níveis mais elevados de ansiedade relacionados com as alterações climáticas, em comparação com os do hemisfério sul; e os habitantes em zonas urbanas têm uma maior preocupação do que os das zonas rurais.

Apesar deste aparente pessimismo, a maioria mostra-se esperançosa relativamente à possibilidade de reverter a situação atual. Nesse seguimento, revelam estar interessados em moldar a política ambiental e muitos pretendem ter acesso a empregos e carreiras na área do ambiente. Para tal acontecer, acreditam que as green skills são “essenciais” para que o futuro possa ser melhor, e 61 % consideram mesmo que ao desenvolverem-nas estão a potenciar as suas possibilidades de acesso a mais oportunidades profissionais. Ainda assim, só menos de metade acredita possuir as competências ambientais necessárias para poder ser bem-sucedido no atual mercado de trabalho.

Tendo em conta os resultados alcançados, a Group Chief Corporate Responsibility Officer da consultora, Sarika Naik, acredita que os jovens em todo o mundo estão “profundamente conscientes” dos desafios “urgentes” que as alterações climáticas colocam, e que estão “ansiosos” por fazerem parte da solução. Considera ainda que este estudo evidencia o “quão importante” é que as empresas, os governos e os líderes da área da educação trabalhem em conjunto para colmatar o défice de competências, dando voz e habilitando os jovens. Já o CEO, Generation Unlimited da UNICEF, Dr. Kevin Frey, observa que os jovens estão a criar e a implementar soluções “inovadoras” que respondem às alterações climáticas que as suas comunidades enfrentam.

Para finalizar, o relatório desafia os decisores políticos a integrarem a educação ambiental, a expandirem o acesso à formação e a alinharem os objetivos climáticos com as estratégias de emprego dos jovens. Além disso, os líderes empresariais também são incentivados a colaborar na criação dos green jobs, a investirem em iniciativas lideradas por jovens e a integrarem as suas vozes nas estratégias de ESG.

Simão Raposo

Quarta-feira, 11 Junho 2025 10:28


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