A opinião de… Cláudia Teixeira de Almeida, do Banco BPI

O financiamento sustentável como fator estrutural de competitividade

A opinião de… Cláudia Teixeira de Almeida, do Banco BPI

Durante décadas, a competitividade empresarial assentou em pilares relativamente estáveis: eficiência operacional, robustez económico-financeira e capacidade de inovação. Assistimos a uma mudança estrutural que está a redefinir a forma como empresas, investidores e instituições financeiras avaliam o risco, o valor e o crescimento. 

A sustentabilidade, que era encarada pelas empresas como um exercício de responsabilidade, reputação ou conformidade, evoluiu para imperativo estratégico. Não se trata apenas de um diferencial reputacional. Empresas com melhor desempenho ambiental, social e de governance (sigla ESG em inglês) tendem a apresentar menor risco de crédito, maior resiliência a choques externos e acrescida capacidade de adaptação estratégica. E, em consequência, maior competitividade e melhor posicionamento no mercado. 

As empresas que integram de forma consistente fatores ESG na sua estratégia tendem também a apresentar menor risco percebido pelos financiadores e, consequentemente, melhores condições de acesso a capital. Em termos simples: empresas sustentáveis financiam‑se melhor, e isso faz toda a diferença num ambiente económico e de mercado cada vez mais exigente e que valoriza os investimentos em inovação, eficiência energética, digitalização e modernização produtiva.  As empresas que souberem alinhar financiamento, investimento e estratégia com esta realidade estarão mais bem posicionadas para crescer, inovar e competir no longo prazo.

Empresas que não conseguem demonstrar uma trajetória de transição credível, para além da crescente dificuldade em financiar investimento e de um maior custo de capital, enfrentam maior exposição a riscos regulatórios, energéticos e de mercado. E isso traduz-se em perda de competitividade e risco de exclusão das cadeias de valor. 

O papel da Banca é decisivo. Financiar de forma sustentável não significa apoiar apenas as empresas já totalmente alinhadas com os objetivos ESG, mas sim financiar trajetórias de transição credíveis, apoiando investimento que reduza riscos futuros e fortaleça a competitividade das empresas. Financiar a sustentabilidade é um instrumento de transformação económica. 

É neste contexto que o BPI está comprometido com o desenvolvimento sustentável e se mantém ao lado dos Clientes com soluções personalizadas de financiamento sustentável, que criam valor a longo-prazo.  

Cláudia Teixeira de Almeida, diretora executiva de Sustentabilidade do Banco BPI

Quarta-feira, 04 Março 2026 08:32


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