Trabalhar em tecnologia é aceitar um ritmo intenso, metas ambiciosas e mudanças constantes. É fácil deixar que o ritmo exigido pelo setor nos absorva por completo. Na minha experiência, este é o grande paradoxo: criamos soluções para acelerar o mundo, mas corremos o risco de deixar para segundo plano o que nos humaniza.
É precisamente neste contexto que a responsabilidade social ganha outro significado: é o momento em que escolhemos abrandar para olhar à nossa volta e contribuir. Longe de ser uma distração, é isso que muitas vezes traz propósito ao nosso trabalho.
Na Blip, o envolvimento social não começou com um plano formal. Nasceu connosco, de forma natural. Nós, “Blippers”, temo-nos envolvido em iniciativas de caráter solidário, porque isso sempre fez parte da nossa essência, tanto individual como coletiva. Não por obrigação, mas por convicção e vontade. Exemplo disso é o nosso leilão interno de tecnologia que, ao longo dos anos, já permitiu angariar mais de 55 mil euros e apoiar dezenas de instituições.
Quando crescemos e integrámos o grupo Flutter, percebemos que esta vontade precisava de estrutura para ganhar escala e consistência. Foi nesse contexto que consolidamos a nossa estratégia de responsabilidade social através do “Play It Forward”, alinhado com o Positive Impact Plan da Flutter. Este plano estabelece metas claras e exigentes: impactar positivamente 10 milhões de pessoas até 2030 e atingir a neutralidade carbónica até 2035.
Na Blip, traduzimos essas ambições em ações locais e concretas – como voluntariado em instituições sociais, ações de reflorestação e limpeza de praias –, garantindo que cada iniciativa reflete a nossa cultura e responde às necessidades da comunidade que nos rodeia.
Num setor competitivo como o nosso, poderia assumir-se que estas iniciativas são secundárias. A nossa experiência mostra o contrário. Equipas que trabalham com propósito são mais comprometidas, colaboram melhor e enfrentam os desafios com maior resiliência. Por isso, vejo a responsabilidade social não apenas como uma dimensão ética, mas como uma escolha estratégica. Quando equipas dedicam tempo a este tipo de ações, vemos algo que vai além do compromisso pontual. Vemos pertença. E essa pertença transforma cultura
É isto que, na minha opinião, define as empresas maduras. Num mercado onde talento, confiança e reputação são ativos críticos, inovar com consciência é uma vantagem competitiva real. Porque crescer é importante, mas crescer de forma responsável é que garante que esse crescimento é sustentável, para o negócio e para a sociedade.
Madalena Ricou, responsável pela área de Diversidade, Equidade, Inclusão e Responsabilidade Social da Blip

