Briefing | O que motivou a criação do projeto Ponto Rosa by Saforelle e de que forma surgiu a oportunidade de o lançar neste momento?
Carolina Ferreira | O projeto Ponto Rosa by Saforelle surge para dar resposta a um desafio crescente, uma vez que uma parte significativa das embalagens de plástico continua a não ser reciclada, em particular as embalagens de produtos cosméticos. De facto, os dados mais recentes da Sociedade Ponto Verde (SPV) revelam um decréscimo de 1 % na recolha de embalagens para reciclagem no primeiro trimestre de 2026, comparativamente ao ano anterior. Ou seja, apesar de nove em cada dez portugueses reciclarem, os dados indicam um ritmo insuficiente para alcançar as metas propostas para o País.
O lançamento deste projeto, neste momento, surge da conjugação de dois fatores. Por um lado, verificamos que, hoje em dia, há uma crescente consciencialização ambiental por parte dos consumidores e uma maior responsabilidade das marcas em implementar soluções concretas de economia circular. Por outro, conseguimos encontrar na Empifarma o parceiro logístico perfeito que nos irá ajudar a ultrapassar aspetos de operacionalização que, de outra forma, seriam mais difíceis de superar.
A nossa motivação, enquanto marca, é clara. O Ponto Rosa torna Saforelle pioneira na colocação de ecopontos dedicados a este tipo de embalagens em farmácias. Queremos não só facilitar o processo de reciclagem, como também educar e envolver a comunidade, contribuindo para um impacto ambiental positivo e mensurável. Podemos afirmar que o projeto Ponto Rosa nasce da necessidade de fomentar a reciclagem, aliado ao compromisso da marca Saforelle em contribuir ativamente para um futuro mais sustentável.
Sendo apresentado como um projeto pioneiro na área da dermocosmética, que lacuna identificaram no mercado português que justificou esta aposta?
Verificamos que a reciclagem de embalagens de dermocosmética não é, muitas vezes, feita corretamente. Isto acontece, sobretudo, por falta de informação clara sobre quais os circuitos adequados para este tipo de produtos. Paralelamente, sabemos que as farmácias são um ponto de proximidade e confiança para os consumidores, pelo que consideramos que têm um enorme potencial para assumir também um papel ativo na promoção da adoção de comportamentos mais sustentáveis. Já o fazem com a recolha de medicamentos fora da validade e consideramos que o podem fazer também com as embalagens de produtos cosméticos.
Com este projeto, procuramos não só facilitar a adoção de comportamentos responsáveis como também, simultaneamente, valorizar o papel das farmácias como agentes de mudança na comunidade. Por isso é que o Ponto Rosa by Saforelle, pretende criar um circuito dedicado à recolha de embalagens de plástico de produtos cosméticos, envolvendo diretamente os consumidores num gesto simples, mas com impacto ambiental positivo. Ao integrar esta solução nas farmácias, unidades de cuidados de saúde, mas também espaços de confiança e proximidade, conseguimos aproximar a reciclagem do dia a dia das pessoas e dar resposta a uma necessidade real do mercado, além de contribuir para as metas nacionais de reciclagem nacionais
Que objetivos concretos definiram para esta primeira fase, com presença em 30 farmácias de Lisboa e Porto?
Nesta fase inicial, de projeto-piloto, o Ponto Rosa será implementado em cerca de 30 farmácias localizadas nas zonas da grande Lisboa e grande Porto. O objetivo é, em primeiro lugar, testar e validar o conceito através da adesão dos consumidores a este novo modelo de reciclagem, para perceber padrões de utilização e níveis de envolvimento.
Temos também como objetivo recolher um volume significativo de embalagens de produtos cosméticos, para garantir o seu correto encaminhamento e tratamento. Somos conscientes que só no final desta fase piloto teremos os dados necessários para, por um lado, perceber a adesão e, por outro, avaliar aspetos operacionais e logísticos fundamentais à expansão do projeto para um nível mais amplo, para chegar a mais regiões do país. Podemos afirmar que queremos, a longo prazo, estar em todo o território, mas para isso será necessário primeiro avaliar o piloto.
Até que ponto os consumidores estão hoje mais atentos às práticas de sustentabilidade das marcas?
Segundo alguns indicadores internacionais, o mercado global de higiene íntima feminina tem registado um crescimento significativo, impulsionado por uma maior consciencialização sobre a saúde menstrual, inovações em produtos e uma crescente procura por soluções mais sustentáveis.
De facto, para nós é claro que o consumidor está significativamente mais atento e exigente no que respeita às práticas de sustentabilidade das marcas. Um estudo nacional divulgado em 2025 concluiu que, por exemplo, cerca de metade dos consumidores já deixou de comprar produtos de determinadas marcas por considerar que estas não adotam práticas sustentáveis, o que demonstra uma mudança real no consumo.
No caso da saúde íntima, sabemos que todo o segmento de produtos para cuidados íntimo feminino (incluindo pensos higiénicos, tampões e copos menstruais, que são as categorias que continuam a dominar o mercado), as consumidoras procuram cada vez mais opções sustentáveis.
Saforelle está a percorrer este caminho em prol da sustentabilidade, para garantir que os produtos têm cada vez um menor impacto ambiental. Iniciámos este caminho com o lançamento de um ecopack, com redução significativa de plástico e, no ano passado, apresentámos ao mercado uma referência totalmente diferente – Saforelle Essential, o primeiro produto íntimo para reconstituição em casa, com um frasco de alumínio reciclado e dois sticks secos. Já este ano, reduzimos a utilização de cartão ao eliminarmos as embalagens exteriores de algumas das nossas principais referências. Ou seja, estamos a trabalhar para, no futuro, conseguir apresentar aos consumidores um portefólio cada vez mais sólido em termos de redução da nossa pegada de carbono. Mas, também somos conscientes que ainda temos um caminho longo a percorrer.
Como foi pensado o envolvimento das farmácias neste projeto e que papel acredita que estes espaços podem ter na mudança de comportamentos de consumo e reciclagem?
As farmácias são um pilar estratégico do projeto. Como já referi, são espaços de proximidade, grande confiança e aconselhamento, com contacto regular com os consumidores. São também, por norma, o local de compra de produtos cosméticos. Por todos estes aspetos, consideramos que são os locais ideais para desenvolver o projeto.
Mais do que meros pontos de recolha, encaramos as farmácias como verdadeiros agentes de sensibilização para a reciclagem destas embalagens. Acreditamos que podem ter um papel determinante na mudança de comportamentos. Isto porque ao incorporarmos a reciclagem no percurso habitual do consumidor, como a ida à farmácia, estamos a facilitar a adoção de novos hábitos e a contribuir para uma transformação mais consistente e duradoura.
De que forma esta aposta em sustentabilidade influencia também a estratégia de marketing e comunicação de Saforelle em Portugal?
Não só de Saforelle, mas a Biocodex, empresa farmacêutica detentora da marca, está a implementar diversas medidas para reduzir o impacto ambiental dos seus produtos e das suas embalagens, ao integrar ativamente práticas sustentáveis em toda a sua cadeia de valor. A empresa adotou uma abordagem de Responsabilidade Social Corporativa (CSR) que visa produzir soluções de saúde de forma responsável e sustentável. Esta abordagem inclui a redução da pegada ecológica em toda a cadeia de valor, desde a investigação e o desenvolvimento até à distribuição dos produtos.
Uma das iniciativas que podemos destacar é o projeto “Pharma Recharge”, que promove a reutilização de embalagens, reduzindo significativamente o desperdício de plástico e cartão. Este modelo de recarga permite diminuir o número de embalagens descartáveis, contribuindo para uma economia mais circular e sustentável. Além disso, a Biocodex está a desenvolver uma estratégia de eco design e compras sustentáveis para todo o grupo a nível mundial, harmonizando os esforços das diferentes marcas para maximizar o impacto positivo no ambiente.
Especificamente no caso de Saforelle, estamos a trabalhar para poder oferecer aos consumidores produtos mais eco-friendly e, dessa forma, reduzir a pegada ecológica da marca. Temos vindo a redesenhar os produtos para reduzir significativamente o plástico utilizado, recorrendo a plástico reciclado ou reduzir cartonagens.
Simão Raposo



