Digitalizar para incluir

A Fundação Vodafone Portugal tem vindo a desenvolver um trabalho com vista a cumprir os seus objetivos basilares, que assentam na promoção da formação e da qualificação profissional no setor das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, e no desenvolvimento de projetos especiais de integração social. Segundo a Manager, Carina Correia, estes projetos assumem-se como “contributos construtivos” para responder a desafios estruturais da sociedade, nomeadamente ao nível da inclusão digital e da igualdade de oportunidades no acesso a competências tecnológicas.

Digitalizar para incluir

Com 25 anos de atividade, a Fundação Vodafone tem como missão gerar impacto positivo na comunidade. Atualmente, promove a ligação entre pessoas e ideias através da tecnologia, potenciando o trabalho de quem já atua no terreno e acelerando resultados com impacto social.

No total, soma cerca de 22 milhões de vidas impactadas direta e indiretamente, através de 38 projetos.

Competências digitais em contexto educativo

Um deles é o DigitALL, que é o esforço mais visível da atividade da organização e que foi fundado em 2021. Carina Correia explica que, desde a sua conceção, foi pensado como um programa educativo completo, onde as competências técnicas caminham lado a lado com as sociais, emocionais e de cidadania, e onde o investimento na formação e capacitação dos professores é assumido como um “fator decisivo” para a sustentabilidade e continuidade do impacto ao longo do tempo. A Manager acredita que um dos fatores diferenciadores é o facto de estar integrado no contexto escolar, em horário curricular, com acompanhamento em sala e formação contínua de professores, capacitando escolas e docentes para integrarem estes conteúdos de forma autónoma nos seus projetos educativos.  Assim, é garantido que o acesso às competências digitais e à cidadania digital não depende do contexto social ou económico das famílias.

Este projeto conta com o apoio da Direção-Geral da Educação. Para a Manager da Fundação Vodafone Portugal isto significa que as equipas responsáveis pela orientação pedagógica e didática do ensino em Portugal reconhecem um contributo que soma valor ao trabalho desenvolvido nas escolas. “Este enquadramento dá segurança às escolas, legitima a integração curricular e reforça a confiança dos professores na qualidade pedagógica do programa, facilitando a sua implementação consistente”, diz Carina Correia.

Tecnologia como motor de mudança comportamental

Partindo da ideia de que os princípios subjacentes ao DigitALL não se esgotam na inclusão digital ou no desenvolvimento de competências técnicas, surge o Cidadania DigitALL. Este spin-off permite trabalhar o conceito de que a tecnologia amplifica fenómenos sociais e comportamentais existentes. “Mais do que sensibilizar, o objetivo é contribuir para mudanças reais e duradouras no comportamento dos alunos, online e offline”, sublinha.

Os conteúdos são trabalhados em articulação com os objetivos curriculares da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, permitindo uma aplicação “prática e consistente” em sala de aula. Esta integração é reforçada por recursos pedagógicos, workshops presenciais e formação específica de professores, criando condições para abordar temas sensíveis com confiança e continuidade.

No balanço do trabalho desenvolvido, Carina Correia destaca que a reação tem sido “muito positiva” por parte da comunidade escolar. Na sua perspetiva, faz “todo o sentido” que a sensibilização para o respeito mútuo seja promovida nas escolas, enquanto espaço central da vida em sociedade. Até ao momento, o Cidadania DigitALL já envolveu mais de dez mil alunos e cerca de 100 agrupamentos escolares em 45 municípios, com dezenas de sessões presenciais realizadas em articulação com a APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

Um modelo de colaboração em rede

A responsável considera que esta colaboração é um bom exemplo do modelo que a Fundação pretende continuar a desenvolver: trabalhar com entidades especializadas, com conhecimento profundo do terreno, para aprofundar temas complexos com “rigor e eficácia”, sempre em articulação com a escola. Além das parcerias nacionais, existe também experiência de colaboração internacional, com entidades como a Save the Children, permitindo recolher boas práticas de outros países e adaptá-las à realidade portuguesa. O princípio mantém-se inalterado: a escola no centro, professores capacitados, alunos envolvidos e, progressivamente, famílias integradas.

Medir para evoluir

A avaliação da eficácia pedagógica é contínua e assenta em vários níveis: o acompanhamento da implementação nas escolas, o feedback de professores, monitores e alunos, e a observação direta do envolvimento e da progressão dos estudantes ao longo do ano letivo.

Para a Manager da Fundação Vodafone Portugal, Carina Correia, a crescente procura por parte das escolas e a integração dos conteúdos em contexto curricular são indicadores da utilidade e adequação pedagógica do programa. Estes dados permitem ajustar metodologias e conteúdos de forma contínua, reforçando o impacto a longo prazo.

Simão Raposo

Quarta-feira, 20 Maio 2026 09:24


PUB