Criada em 2009, a Fundação Galp tem como missão executar a estratégia de impacto social do Grupo nos territórios onde este opera. Tendo como mote “A Energia das Comunidades”, a marca pretende apoiar os parceiros locais que conhecem os problemas diários, adaptando-se às necessidades. A isto soma-se o envolvimento direto dos colaboradores, via voluntariado. A diretora executiva esclarece que a intervenção tem por base uma avaliação das vulnerabilidades locais e o alinhamento com as prioridades de desenvolvimento sustentável, garantindo que as respostas são “relevantes, estruturadas e com impacto duradouro”.
O desporto enquadra-se no eixo estratégico de redução das desigualdades e não surge como área autónoma de investimento. É, antes, um fator de inclusão social, justificado pela capacidade que os clubes e as associações desportivas têm de chegar a crianças, jovens e outros grupos vulneráveis. “É sempre o impacto social que orienta as escolhas, não a modalidade ou a visibilidade desportiva”, sublinha Sandra Aparício.
Clubes como estruturas de proximidade
Um dos exemplos encontra-se em Alcântara, onde a Fundação atua em parceria com o Boa-Hora Futebol Clube e o Atlético Clube. A intervenção combina duas vertentes complementares. A primeira passa pela instalação de unidades de produção de energia solar nas instalações dos clubes. No caso do Boa-Hora, foi implementado o primeiro projeto de autoconsumo coletivo com propósito social. A energia produzida suprirá quase metade das necessidades energéticas do clube e poderá estender-se a entidades como a Associação Vida Autónoma, o Centro Social Paroquial e a CRESCER.
A segunda vertente é programática. Isto acontece através do apoio a programas de monitores que ocupam os tempos livres de crianças e jovens das escolas da zona, através de atividades educativas e desportivas. O modelo envolve atualmente mais de mil atletas e responde a necessidades identificadas no território: o acompanhamento de jovens em situação de vulnerabilidade, o combate ao isolamento da população sénior, o apoio a populações sem-abrigo, entre outras. “O desporto cria rotina, sentido de pertença e um ambiente estruturado para quem, fora desse contexto, ficaria entregue a si próprio”, diz.
No que diz respeito à escolha de Sines e Santiago do Cacém, esta deveu-se a quase cinco décadas de presença da refinaria. “Não foi uma escolha estratégica de raiz, foi uma responsabilidade que nasceu da proximidade”, explica a diretora executiva. A partir dessa ligação histórica, construiu-se um trabalho que abrange hoje os três eixos estratégicos da Fundação e que conta com mais de 60 instituições parceiras, desde bombeiros voluntários às associações de reabilitação.
O apoio ao associativismo desportivo assume aqui formas diversas. O financiamento da construção do Pavilhão Multiusos de Sines; o patrocínio ao BSA Galp, em Santo André; e o apoio programático a clubes como o GD Alcoutim, o Clube Desportivo Inter-Vivos e o Vasco da Gama AC. Em territórios de contexto industrial e demograficamente dispersos, as infraestruturas desportivas funcionam muitas vezes como principal ponto de encontro das comunidades. A responsável refere que é essa função social que justifica o investimento.
Uma presença que se mede
Em 2025, a Fundação Galp chegou a mais de 1,7 milhões de beneficiários diretos e a mais de seis mil entidades beneficiárias. Já o programa de voluntariado Galp Voluntária, envolveu 25.774 beneficiários em 457 iniciativas. Os dados recolhidos junto das entidades parceiras indicam que 70 % aumentaram o número de beneficiários após a intervenção, 100 % reportaram melhorias nos processos internos, e 90 % identificaram ganhos na gestão e no planeamento.


